| Serviço Legionário |
| Quarta, 01 Outubro 2008 11:30 |
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1. O legionário deve «revestir-se da armadura de Deus» A Legião Romana, cujo nome adoptado pela organização, atravessou os séculos com uma gloriosa tradição de lealdade, de coragem, de disciplina, de resistência e de triunfos, embora ao serviço de causas por vezes indignas, ou pelo menos, puramente terrenas (Conferir Apêndice 4: A Legião Romana). Evidentemente que a Legião de Maria não pode apresentar-se à sua Rainha com menos virtudes que a Legião Romana, como um engaste desprovido das gemas que o adornam. As velhas virtudes daquela milícia são por conseguinte, o mínimo exigido no serviço legionário. S. Clemente, que foi convertido por S.Pedro e trabalhou com S.Paulo, propõe a Legião Romana como modelo a imitar pela Igreja. «Quem são os inimigos? São os perversos que resistem à vontade de Deus. Lancemo-nos pois resolutantemente na batalha de Cristo e sujeitemo-nos às suas gloriosas ordens. Atentemos bem nos que servem a Legião Romana debaixo das autoridades militares e notemos a sua disciplina, a sua prontidão, a sua obediência na execução das ordens. Nem todos são perfeitos ou tribunos ou centuriões ou chefes de cinquenta homens ou de outro grau inferior de autoridade. Mas cada homem, na sua escala, executa as ordens do Imperador e dos seus Oficiais superiores. O grande não pode existir sem o pequeno nem o pequeno sem o grande. Uma certa unidade orgânica liga todas as partes, de modo que cada uma ajuda as demais e é ajudada por todas. Tomemos o exemplo do nosso corpo. A cabeça não é nada sem os pés e os pés não são nada sem a cabeça. Mesmo os mais pequenos orgãos do nosso corpo são necessários e de grande valor para o corpo inteiro. Com efeito todas as partes trabalham juntamente, em mútua dependência, e aceitam uma obediência comum para bem de todo o corpo» (S.Clemente, Papa e Mártir: Epístola aos Coríntios (A.D. 96), cap.36 e 37). 2. O legionário deve ser »uma hóstia viva, santa, agradável a Deus... não conformado com este século» Deste alicerce brotarão, no legionário fiel, virtudes tanto mais elevadas quanto mais sublime é a sua causa, e , acima de tudo, uma nobre generosidade que será o eco das palavras de Santa Teresa d´Ávila: «Receber tanto e dar tão pouco em troca! Oh! é um martírio que me leva à morte». Contemplando o Senhor Jesus crucificado que ofereceu por ele o último suspiro e a última gota de sangue, o legionário deverá esforçar-se por reproduzir no seu apostolado uma doação completa semelhante. «Diz-me, meu povo: que mais devia eu ter feito pela minha vinha além do que fiz?» (2 Cor 11: 27). Como recentes acontecimentos comprovam, haverá sempre lugares na terra em que o zelo católico deve estar preparado para enfrentar a tortura ou a própria morte. Muitos legionários passaram já desta sorte, triunfalmente, o limiar da glória. Todavia, e em regra geral, a dedicação do legionário encontrará um campo de acção mais modesto, embora lhe ofereça ampla oportunidade para um heroísmo pacífico mas nem por isso menos verdadeiro. O apostolado da Legião implicará o contacto com muitos que, preferindo ficar longe de qualquer influência salutar, manifestarão o seu desagrado ao receber a visita daqueles cuja única missão é espalhar o bem. Todos estes poderão ser conquistados mas só à custa de um zelo corajoso e paciente. Olhares malévolos, injúrias e repulsas, escárnios e críticas hostis, o cansaço do corpo e do espírito, ânsias cruciantes provenientes de reveses e de negras ingratidões, frio cortante, chuva que cega, lama e vermina, cheiros nauseabundos, vielas escuras, ambientes sórdidos, renúncia voluntária a prazeres legítimos, aceitação das consumições inerentes a todo o trabalho de apostolado, a angústia provocada em toda a alma delicada perante a irreligiosidade e a devassidão, a dor de quem partilha sinceramente o sofrimento do próximo - tudo isto não encerra enquanto algum para a natureza; mas, suportado com doçura e até com alegria, levado com perseverança até ao fim, aproximar-se-á, na balança divina, daquele amor, o maior de todos, que consiste em dar a vida pelo amigo. «Que darei eu ao Senhor por todos os beneficios de que Ele me cumulou?» (Sl 116: 12). 4. O legionário deve «andar no amor como também Cristo nos amou e se entregou a Si mesmo por nós» (Ef 5: 2). O segredo do bom êxito junto do próximo está em estabelecer com ele um contacto pessoal, contacto de amor e de simpatia. Este amor deve ser mais do que aparência. Tem de ser capaz de resistir às provas da verdadeira amizade, o que obrigará frequentemente a certo número de sacrifícios. Cumprimentar, em meios de certa distinção, algém que pouco antes visitámos na cadeia; acompanhar publicamente pessoas andrajosas, apertar efusivamente mãos pouco limpas; compartilhar de uma refeição oferecida numa casa pobre ou suja: eis o que pode ser custoso para muitos. Mas, se assim não procedermos, a nossa amizade passará por simulação: perde-se o contacto e a alma que estava a ser elevada afunda-se de novo na desilução. Na raiz de todo o trabalho verdadeiramente fecundo deve estar o firme propósito de uma doação total de nós próprios. Sem esta disposição o apostolado não tem base. O legionário que delimita o seu zelo declarando: «Sacrificar-me-ei até aqui, mas não mais» embora despenda grandes energias, realizará apenas um trabalho insignificante. Pelo contrário, se esta boa vontade existe, ainda que nunca ou só em pequena escala seja chamada a actuar, não deixará de ser poderosamente fecunda em grandes obras. « Jesus respondeu-lhe; darás a tua vida por Mim?» (Jo 13: 38). 5. O legionário deve «acabar a sua corrida» (2 Tim 4: 7). Assim, o serviço a que a Legião chama os seus soldados não tem limites nem restrições. Não se trata de um simples conselho de perfeição, mas de uma necessidade, porque, se não visamos um tal objectivo, a perseverança no organismo é impossível. Manter-se, durante uma vida inteira, nas lides do apostolado constitui por si mesmo heroísmo, que só será atingido por uma série ininterrupta de actos heróicos que têm na própria perseverança a seu recompensa. Mas a perseverança não é uma característica própria só do indivíduo. todo e cada um dos múltiplos deveres la Legião deve levar o cunho dum esforço constante. Mudanças há-de havê-las necessariamente; pessoas e lugares diferentes que se visitam, trabalhos que se terminaram, substituídos por novos empreendimentos. Tudo isto, porém, é o resultado da variação constante da vida, não o fruto de inconstância caprichosa e de uma curiosidade sedenta de novidade, que acaba por arruinar a melhor disciplina. Receosa deste espírito de instabilidade, a Legião apela incessantemente para um espírito cada vez mais viril dos seus membros, mandando-os depois de cada reunião para as suas tarefas munidos de uma senha imutável: «Firme!» A execução perfeita depende de um esforço contínuo que por seu turno, é o resultado de uma vontade indomável de vencer. Para obter esta resistência da vontade é essencial nunca ceder, nem pouco nem muito. Por isso a Legião impõe a todos os seus ramos e a todos os seus membros uma atitude firme incompatível com a aceitação de qualquer derrota ou com a propensão que leve a classificar tal ou tal pormenor do serviço legionário com os termos de «prometedor», «pouco prometedor», «deseperado», etc. A facilidade em qualificar de «desesperado» este ou aquele caso manifesta, entre legionários, que uma alma de preço infinito pode continuar livre e desenfreadamente a sua corrida descuidada para o inferno. Além disso, o facto indicaria que existe um desejo irreflectido de variedade e de progresso visível tendente a substituir considerações mais elevadas como motivo de apostolado. E então, a não ser que a seara nasça debaixo dos pés do semeador, surge o desânimo e cedo ou tarde o trabalho é abandonado. Mais ainda: a Legião declara com insistência que o acto de classificar qualquer caso de deseperado enfraquece automaticamente a atitude a assumir perante outros casos. Consciente ou inconscientemente, iniciar-se-á qualquer trabalho com espírito de dúvida, perguntando-nos se vale ou não o esforço a depender. A menor sombra de duvida paralisa a acção. E o pior é que a fé deixará de actuar com a intensidade que lhe compete nos empreendimentos da Legião, pois apenas se lhe permite modesta interferência, quando alguma coisa parece razoável. Manietada assim a fé e minadas as suas resoluções, pululam imediatamente a timidez natural, a mesquinhez, a prudência mundana, até ali abafadas, e a Legião encontra-se diante de um serviço casual ou indeferente, que constitui oferta vergonhosa, indigna do Céu. Eis porque a Legião se não interessa senão secundáriamente pelo programa de trabalho, preocupando-se antes vivamente com a intensidade do ardor posto na sua realização. Não exige dos seus membros riqueza ou influência, mas uma fé firme; não façanhas famosas, mas unicamente um esforço que não afrouxe; não talento, mas um amor insaciável; não uma força gigantesca, mas uma disciplina contínua. O serviço do legionário deve ser inflexivelmente tenaz, recusando-se absoluta e obstinadamente a admitir qualquer desânimo. No momento de crise, uma rocha; constante, porém, em todos os momentos. Esperando o bom êxito, mas humilde e nunca seu escravo; na luta com os reveses, combatente intrépido, jamais esmorecido; e sempre sobranceiro às dificuldades e monotonia dum longo assédio, porque elas lhe oferecem ocasião de provara sua energia e a sua fé. Pronto e resoluto, se o chamarem; sempre alerta, quando na reserva; e, mesmo sem combate nem inimigo à vista, previdentemente de sentinela à causa de Deus. Com o coração cheio de ambições insaciáveis, mas contente com a função de tapar uma brecha; nenhum trabalho excessivo; nenhuma tarefa abjecta demais; em tudo a mesma tenacidade inalterável. Sempre ao serviço das almas, sempre à disposição dos fracos para os ajudar a atravessar as horas difíceis de desânimo, sempre de guarda, à espreita do momento em que surpreenda no obstinado um assomo de sensibilidade; e sempre incansável à procura dos transviados. Esquecido de si abandonado o seu posto senão quando tudo estiver consumado. Nunca o desânimo deve penetrar nas fileiras duma associação consagrada à «Virgem Fiel» e que - para honra ou desonra - usa o seu nome. |