|
O Natal é uma festa especial, um dia de encanto e de magia. É uma festa diferente,
porque envolve a totalidade da vida humana. Na Igreja, o Natal é preparado através
de uma espiritualidade própria que nos convida a entender o Natal como nascimento
do Messias, o Slavador. A sociedade preocupa-se mais com a publicidade e o
comércio. A rica simbologia desta festa confunde Jesus com o Pai Natal, iguala
a manjedoira ao presépio, nivela os pobres José e Maria com todas as mães e pais
que sustentam as suas famílias, identifica os magos do Oriente com as pessoas que
trocam presentes e votos de Feliz Natal. No nascimento de Jesus, o céu e a terra
abraçam-se, o sagrado e o profano fundem-se, Deus e a humanidade se identificam.
Tudo porque Deus se encarnou, a divindade se humanizou, o criador fez-se criança.
Quem não se comove diante do nascimento de uma criança? Cada criança que
nasce é um sinal de que a vida não pára. Cada mãe e cada pai que geram uma
criança é garantia segura de que Deus continua a amar a humanidade. Cada família
que se respeita e se ama é afirmação certa de queo Natal é uma realidade. E o
interessante é que Deus quer manter essa comunicação connosco. E o Natal é o
momento próprio para sintonizar com a comunicação divina. Jesus deseja nascer
no nosso coração. Maria e José batem à porta da nossa casa. A família de Nazaré
pede licença para entrar. Não há lugar para eles na hospedaria. Eles querem
hospedar-se no nosso coração. Vamos acolhê-los?
O acolhimento é um dos gestos mais nobres do ser humano. Ser rejeitado, ao invés
de uma experiência desoladora. Pois bem, Jesus foi acolhido por Maria e por José.
Mas foi rejeitado por Herodes e os grandes da época. Jesus foi acolhido pelos
pastores e pelos pobres. Mas foi rejeitado pelos nobres e poderosos, que se
sentiram ameaçados. Por isso mesmo, teve de nascer numa gruta, rodeado de
animais. Recebeu carinho da mãe ne do pai que o amaram profundamente. Neste
amor que gera a vida, está a essência do Natal.
Por isso, maravilhados, contemplamos o nascimento de Jesus. É um recém-nascido...
é Deus Omnipotente e é também um de nós. Veio À terra devolver-nos a condição
de filhos de Deus. Mistério admirável! Mistério de paternidade amorosa, de
fraternidade partilhada e responsável pelo destino de toda a humanidade.
Pe. Fernado Eusébio de Castro
|